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Como lidar com a baixa concentração dos alunos na era digital

Estratégias práticas para aumentar o foco e a aprendizagem dos alunos na era digital.

5 LEITURA MÍN.

Criança frustrada tentando resolver alguns exercícios em sala de aula

Está com pouco tempo? Dê uma rápida olhada.

Os níveis de concentração dos estudantes estão diminuindo devido à superestimulação digital, à falta de sono, a fatores emocionais e à redução da autorregulação, impactando diretamente a aprendizagem e o desempenho acadêmico. Neste post, exploramos por que a atenção é essencial para uma aprendizagem eficaz e compartilhamos estratégias práticas, prontas para a sala de aula, como fragmentação de tarefas, microlearning, dinâmicas participativas, Aprendizagem Baseada em Desafios e Pensamento Visual para ajudar os professores a manter o foco dos estudantes e melhorar a retenção de conhecimento na era digital.

Em um mundo dominado por rolagem infinita no TikTok, vídeos com menos de um minuto e centenas de stories do Instagram, nossa capacidade de concentração diminuiu drasticamente. Vários estudos na literatura científica concordam que os adolescentes estão entre os mais afetados. Por esse motivo, neste post vamos explorar estratégias para lidar com a baixa concentração dos estudantes na era digital.

E se você trabalha ensinando jovens ou adolescentes, certamente notou que eles têm mais dificuldade para se concentrar e tendem a se distrair com mais facilidade. Não é você — é a capacidade reduzida deles de focar, e aqui explicamos tudo o que você precisa saber para lidar com isso com sucesso.

Capacidade de concentração dos estudantes mais baixa: fatores que a explicam

Nos últimos anos, certamente você notou que a capacidade de concentração dos estudantes diminuiu drasticamente. Antes de analisar estratégias para manter o foco dos estudantes, vamos examinar algumas das causas e fatores por trás dessa queda:

  • Digitalização precoce e superestimulação digital: O estudo O efeito do esgotamento cerebral realmente existe? Uma meta-análise confirma o chamado efeito de esgotamento cerebral, segundo o qual a simples presença de um smartphone já reduz o desempenho de atenção e memória. Conclusões semelhantes são obtidas no estudo Impacto do tempo de tela na saúde de crianças e adolescentes (Impact of Screen Time on the Health of Children and Adolescents), que enfatiza que a exposição precoce à tecnologia entre crianças e adolescentes, muitas vezes começando entre 12 e 24 meses, também desempenha um papel. Isso, somado ao grande número de horas que passam diante de telas sem supervisão, faz com que consumam muito conteúdo fragmentado e superestimulante. Por exemplo: stories do Instagram que duram apenas alguns segundos, vídeos do TikTok com menos de um minuto, fotos que podem ser roladas em um segundo etc. Esse tipo de conteúdo curto e fragmentado leva a menor controle cognitivo e a problemas para manter a concentração (veja o estudo). 

  • Falta de sono: No mesmo estudo sobre tempo de tela, é enfatizado como o uso de telas nos quartos afeta negativamente o sono, impactando até 30% das crianças e adolescentes. A falta de sono causa maior fadiga diurna, o que por sua vez leva a uma capacidade reduzida de concentração nos estudantes.

  • Fatores neurobiológicos: Às vezes, a concentração reduzida não é causada pelo ambiente, mas por fatores neurobiológicos, como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Segundo a Sociedade Espanhola de Pediatria Ambulatorial e Atenção Primária, entre 4,9% e 8,8% das crianças e adolescentes espanhóis têm TDAH; na Alemanha, de acordo com Schlack et al. (2007), 4,8% das crianças e adolescentes foram diagnosticados.

  • Fatores emocionais e psicológicos: Ansiedade, estresse e pressão acadêmica podem desencadear déficits de atenção nos estudantes. É importante ter ferramentas para detectar isso e lidar com o problema precocemente.

  • Falta de autorregulação: Se os estudantes não são ensinados a ter autocontrole e autorregulação, fica difícil para eles sustentar a atenção. Além disso, a multitarefa é muito comum, o que divide a atenção e impede que eles se concentrem totalmente em uma única atividade.

Há mais fatores, mas neste artigo focamos nos acima.

Two children sitting on a sofa with their mobile phone
Duas crianças usando telas. Imagem da Freepik

Como a concentração reduzida afeta o desempenho acadêmico?

Vários estudos confirmaram que a baixa capacidade de concentração está diretamente ligada à redução da aprendizagem e à pior retenção do conhecimento.

Segundo o estudo Processo da atenção e sua implicação no processo de aprendizagem (Attention Processes and Their Implications in the Learning Process), a atenção tem várias características-chave, sem as quais a aprendizagem eficaz não é possível: 

  • É preciso haver a capacidade de selecionar/focar nos estímulos importantes enquanto se ignoram as distrações.

  • É preciso haver estabilidade, ou seja, a capacidade de manter a atenção por longos períodos.

  • É preciso haver a capacidade de passar de um foco de atenção para outro sem perder desempenho.

  • É preciso haver autorregulação para que a atenção não se esgote, mas possa ser sustentada por muito tempo.

O que acontece se uma dessas características falhar? Nossos estudantes têm menor capacidade de concentração porque não conseguem direcionar sua atenção para a aula.


Algumas consequências da falta de atenção no desenvolvimento acadêmico incluem:

  • Os estudantes não conseguem fixar sua atenção no conteúdo importante porque se distraem facilmente, o que dificulta compreender e reter o conteúdo em profundidade.

  • Em tarefas longas (como leitura ou raciocínio), os estudantes podem desistir cedo, concluir as tarefas de forma superficial ou fragmentada, ou não reter as informações delas derivadas. Isso também pode levar a mais erros.

  • Mesmo que os estudantes estudem ou realizem tarefas, se o fizerem sem se concentrar na aprendizagem, seu desempenho será menor.

  • Quando os estudantes percebem que levam mais tempo para estudar ou concluir atividades, podem ficar frustrados, chegando até a desenvolver pensamentos como “não sou bom nisso” ou experimentar uma queda na motivação.


Frustrated boy in the classroom with his hands on his head
Um estudante jovem irritado em sala de aula. Imagem da Freepik


Estratégias de ensino para manter a concentração dos estudantes na era digital

Depois de ler tudo isso, você pode pensar que hoje em dia é difícil para os estudantes reterem a aprendizagem. Mas não precisa ser assim: há muitas estratégias que você pode aplicar como professor para garantir que eles permaneçam focados em suas aulas. Aqui vão algumas ideias:

Fragmentação de tarefas

Você já sabe que o ritmo acelerado das redes sociais encurtou a capacidade de atenção dos estudantes. Mas o que você pode fazer, como professor, para evitar que isso reduza a aprendizagem? Uma ideia é dividir tarefas e atividades em metas pequenas e alcançáveis. Isso significa desmembrar atividades longas em várias etapas, permitindo que os estudantes trabalhem em partes menores.

Microlearning

O microlearning é uma metodologia projetada para lidar com períodos curtos de atenção e aproveitar melhor o foco limitado dos estudantes. Consiste em oferecer cápsulas curtas de aprendizagem focadas em um tema muito específico.

Esse método permite que os estudantes se concentrem em uma ideia por vez, aproveitando seus picos de atenção (cerca de 15 minutos) e aumentando a retenção do conhecimento.

Como isso é aplicado na prática? Em vez de oferecer uma explicação longa de 40 minutos, você dá explicações mais curtas e direcionadas, como de 5 minutos. Após cada explicação, você pode propor uma atividade para aplicá-la, seguida de vídeos, áudios ou leituras que reforcem o conceito. E assim por diante com os demais tópicos.

Teacher teaching a girl in class using a tablet
Um professor e um estudante em sala de aula. Imagem de Drazen Zigic no Freepik


Participação frequente dos estudantes

Outra forma de manter a concentração é introduzir abordagens participativas ao longo de suas aulas. Ou seja, durante uma explicação em sala, você pode incentivar a participação dos estudantes para que a comunicação não seja unilateral.

Aprendizagem Baseada em Desafios (CBL)

Dentro das metodologias ativas, a Aprendizagem Baseada em Desafios (CBL) é uma excelente maneira de lidar com a baixa concentração dos estudantes.

Com a CBL, você propõe um desafio aos seus estudantes para que tenham um objetivo a alcançar, envolvendo-os emocionalmente. Isso se afasta do ensino tradicional, pois os estudantes descobrem os conceitos por conta própria e os aplicam na prática.

Se você quiser introduzir a CBL, crie unidades de aprendizagem em que explique claramente em que consistirá o desafio, suas fases, como os estudantes devem trabalhar e assim por diante.

Pensamento Visual

Outra estratégia que sugerimos para manter a atenção é aplicar o Pensamento Visual. Isso envolve usar ferramentas visuais para expressar ideias, organizar informações e comunicar conceitos de forma clara e compreensível. Essa metodologia ajuda os professores em seu processo de ensino, bem como os estudantes em seu processo de aprendizagem.

Você pode aplicar o pensamento visual com materiais físicos (post-its, papelões, quadros brancos…) ou digitais (mapas conceituais, por exemplo).

Fontes

Böttger, T., Poschik, M., & Zierer, K. (2023). O efeito de fuga de cérebros realmente existe? Uma meta-análise. Behavioral Sciences, 13(9), 751.

Fallas, M. P. F., Mora, E. J. R., & Castro, L. G. D. (2020). Impacto do tempo de tela na saúde de crianças e adolescentes. Revista Médica Sinergia, 5(06), 1-10.

Poles, A. (2025). Impacto do uso das redes sociais na capacidade de atenção. Psychology, 16(6), 760-772.

Martínez Figueira, L. Prevalência de sintomas em crianças espanholas com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade [Internet]. 2018.

Schlack, R. et al. (2007). A prevalência do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes na Alemanha. Bundesgesundheitsbl. 50, 827–835.

Sierra, E. B. F. (2016). Processo da atenção e sua implicação no processo de aprendizagem. Didasc@ lia: Didáctica y Educación, 7(3), 177-186.

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